| A palavra "arena", em política brasileira, remete aos piores anos do Brasil. O termo arena, neologismo de antanho para os Coliseus do brioche & circo destes dias, comporta tudo. Tem cabimento para tantos. Mesmo que não tenham cabimento algumas atitudes e contas a serem pagas por nossos tataranetos. Ainda mais em ano de eleição de presidente. De governador. E até de presidente do Clube dos 13. Resumindo: o chefe da delegação brasileira na África do Sul ganhou um alvará do presidente da CBF que não conhecia um dos três projetos de estádio do Corinthians; o maior desafeto do presidente da CBF (que coleciona desafetos sacrossantos como o presidente do São Paulo) teve todos os nãos de São Paulo e do Morumbi para os tantos projetos e remendos apresentados pelo clube tricolor. Para resumir ainda mais: Ricardo Teixeira aprovou um projeto que não viu em Itaquera, e disse não a todos os Morumbis apresentados pela não menos arrogante, preponte e desastrada direção são-paulina. Os projetos são-paulinos tinham as suas falhas como tem o Morumbi desde a construção. O projeto corintiano (que originalmente é para 48 mil pessoas, e já foi mudado para acomodar as 65 mil previstas para a abertura da Copa) ainda é incerto e não sabido. Mas já está aprovado pelo prefeito do DEM, pelo governador do PSDB e, claro, pelo presidente do Brasil. Presidente corintiano coberto de méritos pelo chapéu que deu em Juvenal Juvencio, em termos de Copa. Como se sabe há muito tempo neste canteiro de obras que é o Brasil, só o amor e a Odebrecht constroem. Pavimentando alianças neste governo que acaba, construindo pontes e um estádio para o novo e provável governo petista. Faz parte do jogo e de algumas jogadas. Só é de estranhar tanto mau humor com o São Paulo Futebol Clube. E tantos freios com outra obra importante, inteiramente financiada pela iniciativa privada, que não consegue sair da prancheta por erros de todos os lados. Também do Palmeiras que tinha dívidas a pagar. Também da oposição do clube (e ao clube) que criou e ainda vai criar todos os empecilhos de fato e sem muito direito. E, agora, também do Cades (Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) que entrou em campo para não reformar o Palestra. Sou tão leigo em construção de estádios quanto Ricardo Teixeira é em futebol. Mas o reprovado Relatório de Impacto de Vizinhança (RIVI) não faz parte da política de boa vizinhança. É uma declaração de guerra ao bom senso. Um relatório de impacto sonoro com uso de vuvuzelas e fogos de artifício para liberar as obras do novo estádio palmeirense é de um absurdo incomparável. Melhor, de fato, ser surdo a ouvir os lamentáveis argumentos que impedem o início das obras. Primeiro porque o estádio já existe. É Stadium Palestra Itália, desde 1933. E mais não é preciso dizer pelo risível argumento do Cades. E tem mais! Foi cobrado um estudo para saber quantas pessoas iriam com veículo próprio em dias de shows. Quem sabe? Certamente não o mesmo departamento que liberou sem grandes problemas o Shopping Bourbon, vizinho da nova Arena. Para atrasar ainda mais as obras palestrinas, falta ao clube o mesmo tipo de argumento que sobrou ao presidente corintiano. Não é amizade com o presidente Lula, que isso Belluzzo tem de longa data, independente de carteirinha do partido, como tem Andrés desde o ano passado. Faltam, talvez, os mesmos procedimentos, digamos, mais enfáticos. Aqueles argumentos que liberaram o estádio corintiano a toque de caixa aberto. E que emperram a arena palmeirens com freio ABS. No frigir das bolas, o Corinthians cimentou muito bem a sua obra. |
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Arena política do Trio de Ferro, ops, de Cimento
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